NOTÍCIAS

Rio renova acordo por 25 anos com entidade ‘Cacique Cobra Coral’ em meio ao El Niño

Rio renova acordo por 25 anos com entidade ‘Cacique Cobra Coral’ em meio ao El Niño



Parceria entre Geo-Rio e Fundação Cobra Coral prevê intercâmbio de informações e assistência meteorológica sem custos para o município

Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo
Em meio a um ciclone-bomba que passa pelo Brasil e sob a expectativa de um forte El Ninõ, a Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro (Geo-Rio) firmou, nesta quinta-feira (6), um acordo de cooperação técnica com a Fundação Cacique Cobra Coral. O termo terá vigência de 25 anos.

O acordo foi publicado no Diáro Oficial do Município do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (7). A parceria que dura desde o início dos anos 2000 visa promover a difusão e o intercâmbio de dados entre as duas entidades, viabilizando a prestação de assistência técnica meteorológica para o município.

A medida foi assinada sob caráter não oneroso, o que desobriga a transferência de recursos financeiros públicos entre os partícipes.

 

O que faz a Fundação Cacique Cobra Coral? Entenda

Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) é uma instituição esotérica brasileira, com sede em Guarulhos (SP), criada em 1931 com o objetivo de intervir em desequilíbrios naturais provocados pela ação humana.

A organização é dirigida por Adelaide Scritori, médium que afirma canalizar o espírito do Cacique Cobra Coral— entidade que, segundo os preceitos da fundação, teria sido em vidas passadas personalidades como Galileu Galilei e Abraham Lincoln.

A crença é de que a fundação tenha poderes de fazer mudanças no clima.

O novo termo de cooperação foi assinado entre a GeoRio e a fundação, comandada pela médium Adelaide Scritori

A notícia de que a Prefeitura do Rio renovou até 2051 o acordo de assistência climática com a Fundação Cacique Cobra Coral, além de acalmar os espíritos cariocas, é um dos assuntos mais comentados desta sexta (07/08) nas redes e grupos de mensagens. Muita gente se pergunta se, diante da previsão de ventos de até 110 km/h, a fundação teria “trabalho dobrado”, com repercussão impulsionada pelos alertas da Defesa Civil, que começaram logo cedo.

O novo termo de cooperação foi assinado na quinta (06/08) entre a GeoRio e a fundação, comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do Cacique Cobra Coral para minimizar impactos de fenômenos climáticos extremos por meio de uma assistência espiritual. Sem dinheiro envolvido.

A necessidade de formalizar um contrato, convênio ou termo de cooperação, mesmo sem repasse, é pelas obrigações legais, administrativas e operacionais do setor público.

Por exemplo, o contrato estabelece os limites da atuação da fundação e impede que ela interfira em operações de órgãos oficiais (como o Alerta Rio, Defesa Civil ou INMET) sem coordenação prévia. Pelo seu lado, a prefeitura deve colaborar com os relatórios gerais sobre as intervenções feitas em caso de enchente ou outro “desastre” natural.

Para, digamos, comprovar a eficácia, depois de anunciar que havia suspendido a assistência à Argentina depois das declarações do presidente Javier Milei contra autoridades brasileiras, o país vizinho

ficou “por sua conta e risco” enquanto não houvesse um pedido formal de desculpas. Dias depois, no fim de julho, um tornado atingiu a região de Bernardo de Irigoyen, devastando a região.

A relação da Fundação Cacique Cobra Coral com a Prefeitura é antiga e começou na primeira gestão de Cesar Maia (1993-1996). Em 2008, quando Eduardo Paes se preparava para assumir a prefeitura pela primeira vez, o então secretário de Obras, Luiz Guaraná (hoje presidente do Tribunal de Contas do Município), decidiu não renovar o convênio, por considerá-lo desnecessário. Depois de acompanhar, durante a madrugada, as consequências de um forte temporal no Centro de Operações, Paes voltou atrás e voltou com a parceria.