A maior ameaça a Israel é a guerra cognitiva em massa – opinião
A guerra contra Israel está sendo travada não apenas com foguetes e resoluções, mas sinapse por sinapse – dentro das mentes da próxima geração.
O Hamas é uma organização extremista islâmica cuja ideologia e governança são abertamente hostis à homossexualidade. Isso não é uma questão de construção narrativa ou interpretação política. É uma realidade observável. No entanto, em capitais ocidentais e universidades de elite, muitos ativistas que se definem como defensores dos direitos LGBTQ+ se alinharam publicamente ao Hamas – frequentemente com absoluta certeza moral.
Isso não é mera hipocrisia. É a prova de uma falha cognitiva em massa, na qual a recompensa emocional substituiu a avaliação da realidade. Quando as pessoas não conseguem mais processar uma contradição óbvia que ameaça diretamente sua identidade e segurança, a questão transcende a mera divergência política. É uma clara evidência de controle mental quando o processamento cognitivo e emocional é dominado ou sequestrado.
Do equipamento militar à guerra cognitiva
O campo de batalha mais importante não se limita mais a fronteiras, terreno ou céu. Ele é neuroquímico e psicológico – uma arena na qual a atenção, a identidade e o raciocínio moral podem ser manipulados em larga escala.
Especialistas em dependência química têm usado cada vez mais analogias como agulhas hipodérmicas e traficantes de drogas para descrever telefones celulares, ilustrando como estímulos digitais e ciclos de feedback algorítmico sequestram os circuitos de recompensa do cérebro ao longo do tempo. Israel agora enfrenta não apenas foguetes, células terroristas e pressão diplomática, mas também uma forma de guerra cognitiva direcionada principalmente ao público jovem ocidental.
O objetivo não é discordar da política israelense. É deslegitimar a existência de Israel, condicionando milhões de pessoas a perceberem Israel como algo singularmente malévolo – instintivamente, emocionalmente e reflexivamente.
A arma mais eficaz usada contra Israel hoje não é um míssil. É um ecossistema narrativo movido a dopamina que sequestra a atenção e o julgamento moral. Embora Israel possua alguns dos sistemas de defesa antimíssil mais avançados do mundo, não tem uma defesa comparável – e pouco comprometimento institucional para desenvolver uma – contra a sofisticada guerra cognitiva global.
Dopamina como vulnerabilidade estratégica
As plataformas sociais não são distribuidoras neutras de informação. São mecanismos de engajamento otimizados para recompensas frequentes e de grande relevância, em particular, indignação, afirmação tribal e desempenho moral. Esses comportamentos são neurologicamente reforçadores. A nuance, não.
Lembke identifica uma característica definidora do vício: a auto-observação prejudicada. Como ela mesma afirma, “Negar é não saber que você está mentindo”. Essa percepção vai muito além do vício clínico. Construímos ambientes em larga escala que imitam os ciclos de reforço do vício – novidade infinita, feedback social constante e queixas amplificadas algoritmicamente.
O resultado é uma cultura treinada para confundir intensidade emocional com verdade. Uma vez que o circuito de recompensa é capturado, a realidade torna-se opcional.
A instrumentalização não é acidental.
Essas vulnerabilidades neuroquímicas estão sendo exploradas de forma deliberada e estratégica.
Em um ecossistema otimizado pela dopamina, a narrativa mais viciante vence, não a mais precisa.
Os sistemas de entrega
Essa guerra cognitiva não opera apenas por meio de contas anônimas ou vídeos virais. Ela se propaga por meio de instituições confiáveis.
Os líderes políticos aprenderam que repetir narrativas anti-Israel garante exposição e aplausos. A cultura do entretenimento e das celebridades normaliza o ressentimento por meio da repetição. A narrativa dispensa a análise; o público é condicionado a sentir primeiro e avaliar depois – se é que avalia.
A mídia tradicional, limitada pela velocidade e pelas imagens, privilegia a simplicidade moral em detrimento da complexidade. Em um ambiente de conteúdo constante, o enquadramento da câmera torna-se o argumento. Imagens horripilantes de destruição superam explicações de causalidade, obrigação legal ou contenção operacional.
As redes sociais são o campo decisivo porque transformam a indignação em um ciclo de recompensa. Os algoritmos privilegiam conteúdo que produz picos emocionais instantâneos: imagens de vitimização, enquadramento da raiva e moralidade binária. A realidade de Israel – historicamente complexa, moralmente multifacetada e juridicamente matizada – não se resume facilmente a gatilhos de dopamina. Os slogans do Hamas, sim.
Por que Israel é singularmente vulnerável
O desafio de Israel reside no fato de que a verdade no Oriente Médio é complexa. Israel é uma democracia aberta com tribunais, intensa dissidência interna, jornalismo investigativo e debate ético – mesmo em tempos de guerra. Essa complexidade torna-se uma desvantagem em um ambiente informacional que pune ativamente a complexidade.
Em sistemas dopaminérgicos, “explicar” é interpretado como “dar desculpas”. O contexto é visto como “desvio de atenção”. Quanto mais Israel explica, mais se coloca na defensiva – porque a explicação não gera a mesma recompensa neuroquímica que a indignação.
É por isso que a piada de Netanyahu sobre “frangos para o KFC” é importante. Ela revela que, para alguns ativistas, a identidade se tornou uma performance, e a performance se tornou algo recompensado quimicamente. O “Cogito, ergo sum” – “Penso, logo existo” – silenciosamente se transformou em “Protesto contra Israel, logo existo”.
Quando o cérebro busca reforço, ele pode manter crenças mutuamente exclusivas sem desconforto – porque o desconforto é precisamente o que o sistema treina as pessoas a evitar.
Isso não é um problema de relações públicas.
Isso não é uma falha de hasbara. Não é um problema de marca. Não pode ser resolvido com slogans melhores ou porta-vozes mais eloquentes.
É uma falha – em todo o mundo democrático – compreender o domínio neuroinformacional dos conflitos modernos. Israel está sendo alvo não apenas por sua importância estratégica, mas por ser o caso de teste ideal: uma democracia moralmente complexa confrontando inimigos jihadistas em um ambiente algorítmico que recompensa a simplicidade moral e pune a complexidade.
Defender Israel exige defender a santidade da mente.
Se os neurotransmissores podem ser usados como arma para distanciar uma geração de realidades óbvias – como o fato de que o Hamas brutalizaria justamente os manifestantes que o celebram – então nenhuma democracia está a salvo desse método. Israel não é o alvo final. É o campo de provas.
A guerra contra Israel está sendo travada não apenas com foguetes e resoluções, mas sinapse por sinapse – dentro das mentes da próxima geração.
