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O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra.

(Salmo 34:7)

Ex-membro do Estado Islâmco revela que a Turquia apoia o grupo extremista
Fonte: IEMIF - 23/02/2015 - hmin
Ex-membro do Estado Islâmco revela que a Turquia apoia o grupo extremista

 Depoimento prestado por um ex-membro do Estado Islâmico na Síria indica que militantes do grupo extremista enxergam a Turquia, país que atualmente faz parte da OTAN, como seu aliado, e aponta a medida com que os radicais islâmicos têm coordenado os seus esforços com o governo turco.

 
Um ex-técnico de Comunicações do Estado Islâmico, que trabalhava em um escritório de comunicações do grupo, dentro da fortaleza na cidade síria de Raqqa, disse em entrevista ao site da Newsweek que o governo turco permitiu que comboios dos militantes passem por suas fronteiras e cruzem livremente o país, evitando o combate em regiões controladas pelos curdos e atacando tropas mais vulneráveis na região nordeste da Síria.
 
Falando sob o pseudônimo de "Sherko Omer", o antigo técnico de comunicações que conseguiu escapar, acrescentou ainda que a base para a cooperação entre eles é que ambos compartilham um inimigo comum: os curdos.
 
Tendo trabalhado no departamento de comunicações do grupo, Omer disse que os comandantes do Estado Islâmico haviam estabelecido uma linha confiável de comunicação com o exército turco, que autorizou comboios viajarem através da Turquia."O Estado Islâmico via o exército turco como seu aliado, especialmente quando se tratava de atacar os curdos na Síria", disse Omer. "Os curdos eram o inimigo comum tanto para Estado Islâmico quanto para a Turquia. Além disso, eles precisam da Turquia como aliada, porque só através da Turquia eles foram capazes de posicionar soldados do grupo nas porções ao norte das cidades e vilas curdas na Síria".
 
"Tenho conectado capitães de campo do E.I. e comandantes da Síria com pessoas na Turquia em inúmeras ocasiões", disse Omer. "Eu raramente os ouvia falar em árabe, e foi apenas quando um deles falou com os seus recrutadores, caso contrário, a maioria deles falava em turco, as pessoas com quem eles falavam deviam ser algum tipo de oficial turco, pois os militantes ficaram bem sérios quando falavam com eles”.
Omer detalhou uma situação, em fevereiro, quando ele foi transferido do departamento de comunicações para lutar com um batalhão que foi encarregado de viajar de Raqqa, através da Turquia, para combater curdos na cidade síria de Serekaniye, ao nordeste do país.
 
Embora a viagem precisasse passar pela Turquia, Omer disse que os comandantes do Estado Islâmico explicavam ao batalhão que tinham linhas de comunicação abertas com o exército turco, que lhes permitiria atravessar a fronteira e viajar pelo país.
 
"Os comandantes disseram-nos para não temer absolutamente nada, porque havia plena cooperação com os turcos", disse Omer. "Eles nos garantiram que nada vai acontecer, especialmente agora que viajamos regularmente de Raqqa e Alepo às áreas curdas ainda mais a nordeste da Síria, porque era impossível fazer esse caminho pela Síria, pois o Exército Nacional do Curdistão da Síria controlava a maioria das partes da região”.
 
Quando o batalhão de Omer chegou a Serekaniye, Omer disse que se rendeu assim que os curdos atacaram seu acampamento. Embora ele tenha sido mantido em cativeiro durante meses, as forças curdas libertaram-no, porque sentiram que ele não era um combatente e determinou que ele não havia cometido nenhum ato de violência. Omer afirma que ele originalmente se envolveu no conflito, quando se juntou a um grupo de oposição rebelde sírio em sua luta contra o então presidente, Bashar al-Assad. Mas assim que o Estado Islâmico assumiu, ele acabou envolvido com o grupo.
 
Um porta-voz curdo da Unidade de Proteção Popular Curda, Pat Can, disse ao Newsweek que o exército turco está fazendo mais pelo E.I do que apenas deixá-los atravessar a fronteira livremente. Ele disse que há evidências de que a Turquia também tem dado suprimentos para o grupo.
 
"Temos evidências mais do que suficientes provando que o exército turco dá armas e munições aos terroristas, e lhes permite atravessar as fronteiras do país, a fim de que os combatentes do grupo possam iniciar ataques desumanos contra o povo curdo em Rojava (nordeste da Síria)", disse Can.
 
Até o final de outubro, o governo turco havia impedido guerreiros curdos de atravessar a fronteira para ajudar seus aliados curdos sírios. Isso impediu os curdos que enfrentavam o Estado Islâmico, especialmente na cidade sitiada de Kobane, de obter os reforços necessários para vencer as batalhas.
 
Curdos de Kobane disseram à Newsweek que, os curdos que tentaram atravessar a fronteira com armas e outros suprimentos, foram alvejados por guardas de patrulha de fronteira turcos.
 
Presidente do Governo Regional Curdo, Masoud Barzani disse em uma declaração por escrito que a Turquia só permitiu os combatentes curdos de usar a fronteira quando os Estados Unidos se envolveram na elaboração de um acordo de fronteiras entre os curdos e Turquia.
 
"Conversações bilaterais e trilaterais intensas foram realizadas entre os EUA, a Turquia e a região curda para providenciar acessos para os peshmerga [guerreiros Curdos]", disse Barzani. "Após as negociações, a Turquia informou oficialmente que nos iria fornecer todos os tipos de apoio".

 
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